O Governo de Minas Gerais concluiu nesta terça-feira (16) o processo de desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), encerrando uma das maiores operações do mercado de capitais envolvendo empresas estaduais nos últimos anos. A oferta pública de ações movimentou R$ 8,38 bilhões e inaugura uma nova etapa para a companhia, que passa a contar com uma estrutura voltada à ampliação dos investimentos e ao cumprimento das metas de universalização do saneamento previstas para 2033.
A cerimônia que marcou o encerramento da operação foi realizada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, e contou com a presença do governador Mateus Simões. Ao final da oferta, foram negociadas ações equivalentes a 45% do capital social da empresa, ao preço de R$ 49,03 por papel.
Com a nova composição acionária, o Grupo Equatorial tornou-se o principal investidor privado da companhia, passando a deter 30% do capital da Copasa após um aporte de R$ 5,59 bilhões. Outros 10,5% das ações ficaram com investidores institucionais, enquanto o varejo adquiriu 4,5% da empresa.
Embora tenha deixado de ser o controlador da companhia, o Estado de Minas Gerais preservou uma participação de 5% e manteve uma ação especial, conhecida como golden share. O instrumento garante poder de veto em decisões consideradas estratégicas e foi acompanhado da assinatura de um acordo de acionistas com o Grupo Equatorial para definir regras de governança e acompanhamento da gestão.
Durante a cerimônia, Mateus Simões afirmou que a operação fortalece a capacidade de investimento da empresa e contribui para acelerar a expansão dos serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto em mais de 600 municípios mineiros. Segundo ele, a mudança não altera a prestação dos serviços nem o modelo de definição das tarifas.
O governador também destacou que os valores cobrados dos consumidores continuarão sendo regulados pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG), afastando a possibilidade de mudanças automáticas nas contas de água em razão da nova estrutura societária.
A desestatização foi construída ao longo dos últimos meses e envolveu estudos técnicos, análises regulatórias e a definição de um modelo societário voltado à atração de investimentos privados. A expectativa do governo é que a nova configuração permita acelerar a expansão da infraestrutura de saneamento e atender às exigências do Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece a universalização dos serviços de água e esgoto no país até o fim de 2033.
Além do reforço na capacidade de investimento, o governo avalia que a operação consolidou a valorização da Copasa no mercado financeiro, ampliando o interesse de investidores e inaugurando um novo ciclo para a companhia.



