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Do atendimento por IA à farmácia digital: tecnologia redesenha a prestação de serviços públicos no DF

Plataformas integradas substituem processos presenciais, ampliam o acesso a serviços de saúde, transporte, trânsito e inclusão e consolidam a digitalização da administração pública no Distrito Federal

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A transformação digital da administração pública vem alterando, de forma gradual, a relação entre o cidadão e o Estado no Distrito Federal. O avanço de plataformas eletrônicas, aplicativos e sistemas integrados tem reduzido a dependência do atendimento presencial e concentrado, em ambiente virtual, uma parcela crescente dos serviços oferecidos pelo Governo do Distrito Federal (GDF), da emissão de documentos ao acesso a medicamentos de alto custo.

A estratégia reúne iniciativas voltadas a diferentes áreas da gestão pública, como saúde, mobilidade, educação, trânsito, saneamento e acessibilidade. O objetivo é simplificar procedimentos, reduzir etapas burocráticas e ampliar a capacidade de atendimento sem a necessidade de deslocamento até órgãos públicos.

Entre os principais instrumentos está o GDF Digital, conjunto de plataformas que centraliza serviços antes distribuídos em diferentes canais. Uma das ferramentas é a Administração Regional Digital 24 Horas, que permite registrar solicitações de manutenção urbana, como poda de árvores, limpeza pública e outros serviços, além de acompanhar o andamento das demandas pelo Portal Cidadão.

O ecossistema inclui ainda o EducaDF Digital, voltado à gestão da rede pública de ensino, e o E-Protocolo, sistema que digitaliza o envio de documentos administrativos para órgãos do governo, substituindo processos tradicionalmente realizados em papel.

Na área da saúde, a digitalização alcançou a gestão dos medicamentos de alto custo. Lançada em maio deste ano pela Secretaria de Saúde, a Farmácia Digital acompanha eletronicamente todas as etapas do atendimento, desde a análise da documentação até a entrega dos medicamentos. Integrado ao Cartão Nacional de Saúde, o sistema também permite agendar a retirada dos remédios, mantém o histórico documental em meio digital e fortalece o controle de estoque e o acompanhamento clínico dos pacientes.

Outro avanço recente ocorreu no atendimento ao consumidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), que passou a utilizar inteligência artificial para automatizar parte do relacionamento com os usuários. Batizada de Iná, a plataforma permite solicitar segunda via de contas, revisão de faturas, consultar o histórico de consumo e abrir solicitações por meio de linguagem natural, eliminando a necessidade de percorrer menus convencionais. O acesso aos dados pessoais permanece condicionado à autenticação pela plataforma Gov.br.

No transporte coletivo, a digitalização também modificou a rotina dos passageiros. Pelo sistema BRB Mobilidade, usuários podem realizar recargas via Pix, consultar saldo, extrato e validade dos créditos, acessar itinerários e emitir segunda via do cartão. Embora a maior parte dos atendimentos tenha migrado para o ambiente virtual, a rede física continua operando com 512 pontos de recarga distribuídos pelo Distrito Federal. Atualmente, mais de 790 mil pessoas utilizam o Cartão Mobilidade.

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) ampliou, nos últimos anos, a oferta de serviços digitais. Entre eles está o Balcão Virtual, plataforma que permite protocolar requerimentos, enviar documentos e acompanhar processos administrativos sem necessidade de atendimento presencial. Pelo portal e pelo aplicativo da autarquia também é possível consultar a pontuação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), verificar a situação do veículo e acompanhar resultados de exames e bancas examinadoras. O volume de acessos aos serviços digitais do órgão já ultrapassa a marca de 4 milhões.

A modernização também alcança a política de inclusão. Desde dezembro de 2023, o Distrito Federal disponibiliza o DF Libras – CIL Online, serviço de interpretação em Língua Brasileira de Sinais por videochamada disponível durante 24 horas. Por meio de um QR Code, pessoas surdas conseguem acionar intérpretes em tempo real durante atendimentos em unidades de saúde, hospitais, UPAs, Samu, ouvidorias e órgãos de segurança pública.

A expectativa é ampliar a cobertura da ferramenta para o metrô, o Detran-DF, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e escolas públicas. A avaliação dos usuários indica média de satisfação de 4,4 pontos em uma escala de cinco, resultado que reforça a expansão de um modelo em que a tecnologia deixa de ser apenas instrumento de modernização administrativa e passa a desempenhar papel central na ampliação do acesso aos serviços públicos.

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