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Minas registra 92 mil trotes ao Samu e governo alerta: chamadas falsas colocam vidas em risco

Ligações indevidas representam cerca de 5% dos atendimentos telefônicos do serviço de urgência e podem atrasar o socorro a pacientes em situação crítica

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O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) recebeu cerca de 92 mil trotes e chamadas indevidas em Minas Gerais desde o início de 2025. O volume de ligações falsas tem preocupado as autoridades de saúde, que alertam para os prejuízos causados ao atendimento de emergências e reforçam que esse tipo de conduta pode comprometer o socorro de pessoas em risco de morte.

Responsável pelo atendimento pré-hospitalar em casos de urgência e emergência, o Samu depende da agilidade das centrais telefônicas para acionar ambulâncias e equipes médicas. Quando uma linha permanece ocupada por uma ligação falsa, o atendimento de uma ocorrência real pode ser retardado.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), somente em janeiro de 2026 o serviço recebeu mais de 184 mil chamadas em todo o estado. Desse total, aproximadamente 5% foram classificadas como trotes ou ligações sem necessidade de atendimento.

Para o governo estadual, o problema vai além da sobrecarga nas centrais de atendimento. As chamadas indevidas mobilizam profissionais, comprometem a disponibilidade das equipes e reduzem a capacidade de resposta em situações que exigem rapidez, como acidentes, infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outros casos graves.

Na tentativa de reduzir esse tipo de ocorrência, a Secretaria de Saúde mantém ações de conscientização em escolas, empresas, hospitais, comunidades e instituições religiosas, com orientações sobre o uso correto do serviço de emergência.

Além do trabalho educativo, algumas regiões já adotam medidas tecnológicas para identificar reincidências. Na macrorregião Centro-Sul, por exemplo, foi implantado um sistema que monitora números com histórico de chamadas falsas. Após um elevado volume de trotes, as ligações passam a ser direcionadas para um atendimento automatizado, que permite ao usuário confirmar a necessidade de socorro em caso de uma emergência real.

As autoridades também lembram que o trote não é apenas uma infração moral, mas pode gerar consequências legais. O Código Penal prevê punição para quem interrompe ou perturba serviços telefônicos de utilidade pública, com possibilidade de multa e pena de detenção de até três anos. Em Minas Gerais, uma lei estadual também estabelece multa para quem aciona indevidamente serviços de emergência, como Samu, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

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