Uma antiga ligação ferroviária que nunca chegou a ser concluída ganhou um novo significado na Zona da Mata mineira. O traçado que guarda vestígios do antigo ramal da Bocaina agora dá nome a uma rota turística que pretende transformar paisagens rurais, tradições locais e pequenos negócios em motores de desenvolvimento econômico para a região.
A Rota Ferrovia da Bocaina será inaugurada nesta terça-feira (3), reunindo 21 empreendimentos distribuídos entre os municípios de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas. O projeto nasceu da articulação entre produtores rurais, empreendedores locais, prefeituras e a assistência técnica da Emater-MG, com o objetivo de fortalecer o turismo rural e ampliar oportunidades de geração de renda no campo.
Instalada entre as serras Negra e de Ibitipoca, a rota percorre cerca de 85 quilômetros e conecta pousadas, restaurantes, bares, propriedades rurais e atrativos naturais espalhados por comunidades como Cachoeira de São Bento, Rosa Gomes, Souza do Rio Grande, São José do Palmital, São Domingos da Bocaina, Capoeira Grande, Dois Córregos e Viegas.
A proposta vai além da criação de um novo destino turístico. A expectativa é consolidar uma rede de empreendedores locais capaz de atrair visitantes durante todo o ano e estimular a circulação de recursos em pequenas comunidades rurais, onde a atividade agropecuária ainda é a principal fonte de renda.
A inauguração será marcada por uma programação que combina capacitação, esporte, cultura e contato com a natureza. Entre as atividades previstas estão uma palestra sobre turismo rural e desenvolvimento regional, passeio ciclístico, lançamento de livro e caminhada ecológica.
O projeto começou a tomar forma em 2024, durante um seminário regional voltado ao turismo rural. A ideia surgiu a partir da mobilização de moradores da região interessados em transformar o potencial histórico e paisagístico da Bocaina em uma rota estruturada de visitação.
Segundo técnicos envolvidos na iniciativa, a criação do circuito representa uma alternativa para diversificar a economia local e valorizar patrimônios naturais e culturais muitas vezes desconhecidos até pelos próprios mineiros.
Além das montanhas e cachoeiras que caracterizam a região, a rota preserva marcas do antigo projeto ferroviário que deveria conectar Lima Duarte a Bom Jardim de Minas. Embora a ferrovia nunca tenha sido concluída, os vestígios da obra permanecem na paisagem e agora passam a integrar a narrativa de um roteiro que une memória, natureza e produção rural.
A expectativa dos organizadores é que a iniciativa fortaleça o turismo de experiência na Zona da Mata, atraindo visitantes em busca de gastronomia regional, hospedagens em áreas rurais, trilhas ecológicas e vivências ligadas à cultura do interior mineiro.



