A recuperação ambiental da Bacia do Rio Doce ganhará um novo impulso com um investimento de R$ 232,7 milhões destinado à restauração de ecossistemas aquáticos degradados pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), o projeto integra o Acordo de Reparação do Rio Doce e terá duração inicial de cinco anos, com possibilidade de extensão por até 20 anos.
A proposta prevê intervenções em rios, córregos e afluentes para recuperar habitats aquáticos, ampliar a biodiversidade e favorecer a retomada gradual das populações de peixes nativos, atividade que representa uma importante fonte de renda para comunidades atingidas pelo desastre.
Nos primeiros cinco anos, os trabalhos ficarão concentrados na sub-bacia do Rio Santo Antônio, considerada uma das áreas mais estratégicas para a conservação da fauna aquática da região. As ações incluem a implantação de estruturas de bioengenharia, remoção de pequenos barramentos, desassoreamento de trechos críticos e recuperação de áreas utilizadas para alimentação, abrigo e reprodução de espécies nativas.
Outra frente do projeto será o controle de peixes exóticos e invasores em toda a Bacia do Rio Doce. Para isso, serão empregadas técnicas como pesca tradicional — com prioridade para a contratação de pescadores locais — e pesca elétrica. Além do objetivo ambiental, a iniciativa busca gerar oportunidades de trabalho e renda nas comunidades da região.
O programa também prevê a criação de uma rede permanente de monitoramento ambiental para acompanhar a qualidade dos habitats, a biodiversidade e a evolução das populações de peixes ao longo da execução. As informações coletadas servirão para medir os resultados das intervenções e orientar eventuais ajustes nas estratégias de recuperação.
A iniciativa inclui ainda ações voltadas aos piscicultores da bacia para reduzir o escape de peixes criados em cativeiro para os rios, com apoio na adequação de estruturas de aquicultura e na adoção de protocolos de biossegurança.
A mobilização das comunidades também faz parte da estratégia. Estão previstas atividades de educação ambiental direcionadas a pescadores, produtores, comerciantes de peixes ornamentais, moradores ribeirinhos e demais públicos ligados ao uso dos recursos hídricos, com o objetivo de incentivar práticas sustentáveis e ampliar a participação da população na conservação dos rios.
Segundo o IEF, a recuperação dos cursos d’água deverá criar condições para o fortalecimento da biodiversidade e para a retomada sustentável da pesca na bacia. O gerente de Conservação e Restauração da Fauna Aquática e Pesca, Leandro Guimarães, afirma que a recomposição dos habitats permitirá formar áreas prioritárias para a conservação das espécies aquáticas e elevar a qualidade ambiental dos rios.
O projeto está na fase final de análises técnicas para a publicação do edital de execução, prevista para julho de 2026. A expectativa é que as primeiras intervenções tenham início em 2027.
O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015, deixou 19 mortos e provocou um dos maiores desastres ambientais da história do país. O Acordo de Reparação do Rio Doce foi firmado em outubro de 2024 entre os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo, além dos Ministérios Públicos, Defensorias Públicas e das empresas Samarco, Vale e BHP Billiton.



