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Minas lança guia para ampliar exportações da cachaça 

Publicação busca abrir novos mercados para produtores mineiros

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O Governo de Minas apresentou, nesta segunda-feira (29), um plano para impulsionar a presença da cachaça mineira no mercado internacional e, ao mesmo tempo, avançar na regularização fundiária de milhares de imóveis no Norte do estado. Os anúncios foram feitos em Montes Claros, durante a cerimônia de transferência simbólica da capital mineira para o município.

A principal iniciativa foi o lançamento do Guia Abrindo Fronteiras: Oportunidades de Exportação para a Cachaça Mineira, publicação voltada a produtores, cooperativas e empresas do setor que reúne informações sobre mercados internacionais, hábitos de consumo, oportunidades comerciais e orientações para quem pretende exportar a bebida.

Elaborado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o material também contou com contribuições dos setores de promoção comercial das embaixadas brasileiras em Assunção, Montevidéu, Madri e Roma, que forneceram análises sobre mercados estratégicos para a bebida.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, o guia pretende aproximar os produtores das oportunidades existentes fora do país e fortalecer a cultura exportadora de um dos produtos mais tradicionais de Minas Gerais.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão das vendas internacionais da bebida. Somente em 2025, Minas exportou 337 toneladas de cachaça, movimentando US$ 1,5 milhão e alcançando 14 mercados. O Uruguai liderou as importações, seguido por Estados Unidos, Itália, Austrália e Reino Unido.

Os embarques refletem a relevância da produção mineira no setor. O estado concentra cerca de 40% dos alambiques registrados no país e possui produtores em 256 municípios, consolidando-se como o principal polo nacional de fabricação de cachaça de alambique. Além da importância econômica, a atividade possui reconhecimento cultural: o modo tradicional de produção foi declarado patrimônio cultural de Minas Gerais em 2007.

Entre os municípios que mais exportaram a bebida neste ano, destacam-se Extrema, Salinas, Araxá, Novorizonte e Matozinhos, responsáveis por parcela significativa da receita obtida com as vendas ao exterior.

Além das medidas voltadas ao agronegócio, o governo anunciou uma nova etapa do programa Minas Reurb, destinada à regularização fundiária urbana. Foram assinados acordos de cooperação técnica com 13 municípios do Norte de Minas para viabilizar a legalização de aproximadamente 3,9 mil imóveis.

A expectativa é beneficiar cerca de 11,7 mil moradores das cidades de Cônego Marinho, Engenheiro Navarro, Espinosa, Francisco Sá, Itacarambi, Juvenília, Lontra, Montezuma, Ninheira, Pintópolis, Pirapora, Ponto Chique e Santa Cruz de Salinas.

Durante o evento, o governador Mateus Simões afirmou que a regularização permitirá que milhares de famílias obtenham escritura e registro definitivo de seus imóveis, ampliando a segurança jurídica e valorizando o patrimônio.

Para executar as ações, o Estado prevê investimento superior a R$ 10 milhões, com recursos provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce, firmado em 2024 entre a União, os governos de Minas Gerais e Espírito Santo, instituições de Justiça e as empresas responsáveis pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.

Os dois anúncios reforçam frentes distintas da política estadual: de um lado, a estratégia de ampliar a competitividade internacional de um produto que simboliza a identidade mineira; de outro, a busca por acelerar a regularização urbana e ampliar o acesso da população ao direito formal à propriedade.

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